Para matar saudades...
Parabéns, ficou muito bom! A gente vê-se em breve!
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19 maio 2009
18 abril 2009
Os amigos da onça
Outra circunstância fantástica que teve esta visita a Trancoso chama-se Pindorama. A segunda noite na cidade levou-nos a fazer o roteiro das tais lojas do Quadrado. Uma delas expunha peças genuínas de artesanato indígena, fruto de garimpo de arte pelas estradas mais inóspitas do Brasil. Encantei-me por uma onça de madeira do Alto Xingu, de uma reserva índia perdida no Mato Grosso, esculpida à mão e pintada com jenipapo. Passámos a ir visitá-la todas as noites, pelo que criámos amizade com pessoas muito interessantes e queridas, como o Otávio, dono da loja; o Hélio, outro elemento da equipa Pindorama; o Seu João, pescador nas madrugadas e roceiro nas tardes, nativo dono da casa onde está a loja e – mais importante - das mesas em frente à loja, onde joga dominó com os amigos, conversa com quem passa e onde o Henrique teve o privilégio de festejar os anos; a Dona Glória, mulher do Seu João e parteira de Trancoso, por cujas mãos já passaram mais de 200 "filhos de pegação" e que - por falar em natalidade - o destino me apresentou no dia dos anos do meu filho, o mesmo dia em que também ela tinha sido mãe do Careca; a Nely, exemplo bem acabado de uma baiana linda, filha de Seu João e Dona Glória, irmã de Careca e mãe de Serena, uma das grandes amigas que o Henrique conquistou no Quadrado.
Dificilmente poderíamos ter tido mais sorte com os amigos que a onça nos apresentou...
31 março 2009
Recapitulando...
Depois de mais alguns quilómetros cumpridos, e de outras tantas ideias traduzidas, volto a dar-vos conta do que por aqui passámos.
A saída do Rio foi tão serena quanto a entrada - do Rio continuo a guardar apenas imagens positivas, embora contrariando as notícias dos noticiários sensacionalistas. Dos canais que aqui se dedicam a transmitir em directo os tiroteios, os acidentes, as perseguições, os sequestros e afins, o que mais curtimos foi a cena de um camião da Skol (= uma das boas cervejas brasileiras) que foi roubado por um qualquer maduro, em São Paulo, mas que teve o azar de se espetar num poste duma avenida bem movimentada da grande cidade. Tristemente, foi apanhado, cheio de sede.
(Só um aparte: não sei se em Portugal, um país que tem praticamente a mesma população que a cidade do Rio, a questão da (in)segurança não anda tão presente quanto aqui...)
"Como é fácil explicar este projeto! Lembro quando fui ver o local. O mar, as montanhas do Rio, uma paisagem magnífica que eu devia preservar. E subi com o edifício, adotando a forma circular que, a meu ver, o espaço requeria. O estudo estava pronto, e uma rampa levando os visitantes ao museu completou o meu projeto."

Foi também oportunidade de revermos outro velho amigo brasileiro: o Zé Caranguejo, mais uma das personagens incontornáveis do Verão de 1993, da Marina de Vilamoura. Foi assim que acabei por partilhar o dia dos meus anos com o Zé Paulo, filho mais novo do Zé, num churrasco organizado pelo pai. Foi divertido e em família, e o Zé fez questão de se despedir ao piano, nas suas interpretações inesquecíveis de Chico Buarque.

A nova semana começou em Búzios, no meu novo escritório que vocês já conhecem. É um lugar óptimo, com excelentes alternativas de praia e de fait-divers (embora eu me tenha dedicado quase exclusivamente aos fait-divers porque, à praia, só fui um dia!).

Mas as praias são lindas, a comida é óptima, o ambiente é descontraído - quando se ignoram alguns (nem todos!) argentinos que, pura e simplesmente, invadiram o pedaço como os ingleses fizeram há uns anos no Algarve, com a arrogância balofa do neocolonizadorzinho.
A saída do Rio foi tão serena quanto a entrada - do Rio continuo a guardar apenas imagens positivas, embora contrariando as notícias dos noticiários sensacionalistas. Dos canais que aqui se dedicam a transmitir em directo os tiroteios, os acidentes, as perseguições, os sequestros e afins, o que mais curtimos foi a cena de um camião da Skol (= uma das boas cervejas brasileiras) que foi roubado por um qualquer maduro, em São Paulo, mas que teve o azar de se espetar num poste duma avenida bem movimentada da grande cidade. Tristemente, foi apanhado, cheio de sede.
(Só um aparte: não sei se em Portugal, um país que tem praticamente a mesma população que a cidade do Rio, a questão da (in)segurança não anda tão presente quanto aqui...)
Do Rio, a ponte levou-nos até Niterói. Lá, fomos directos ao MAC, mais uma obra incontornável da arquitectura brasileira. Criado por Niemeyer há pouco mais de uma década, é um edifício que continua a ser identificado por todos quantos passam por ele, diariamente, como o "disco voador". Aliás, nem vale a pena perguntar "onde fica o Museu de Arte Contemporânea?", porque ninguém sabe a que nos referimos.
Mas, na verdade, chamar-lhe cálice, flor, cogumelo ou navio (como o Henrique), ou referir-lhe a função, é o espaço deixado à interpretação. O facto é que o vetusto senhor desenhou um objecto cuja inclinação se encosta, do outro lado da Baía de Guanabara, à mesma do Pão de Açúcar; e o plantou num espelho de água que se prolonga nas águas salgadas, logo abaixo; e que o elevou dum pequeno promontório, como que germinado. "A oportunidade", enfim, "de fazer uma boa arquitectura", nas palavras do mestre.
Mas, na verdade, chamar-lhe cálice, flor, cogumelo ou navio (como o Henrique), ou referir-lhe a função, é o espaço deixado à interpretação. O facto é que o vetusto senhor desenhou um objecto cuja inclinação se encosta, do outro lado da Baía de Guanabara, à mesma do Pão de Açúcar; e o plantou num espelho de água que se prolonga nas águas salgadas, logo abaixo; e que o elevou dum pequeno promontório, como que germinado. "A oportunidade", enfim, "de fazer uma boa arquitectura", nas palavras do mestre.
Foi também oportunidade de revermos outro velho amigo brasileiro: o Zé Caranguejo, mais uma das personagens incontornáveis do Verão de 1993, da Marina de Vilamoura. Foi assim que acabei por partilhar o dia dos meus anos com o Zé Paulo, filho mais novo do Zé, num churrasco organizado pelo pai. Foi divertido e em família, e o Zé fez questão de se despedir ao piano, nas suas interpretações inesquecíveis de Chico Buarque.

E por falar em anos: o Pedro decidiu improvisar-me um ramo de flores e, nessa noite, quando eu já dormia, saiu à rua, no meio da mata da pousada, para colher alguma coisa digna. Como tenho este mau feitio e me lembro de acordar a meio da noite, olho para o lado da cama, no chão e - que vejo eu? Uma coisa que, de imediato, se assemelhava a uma prancha de surf! Pensei: "Entrou algum surfista distraído no nosso quarto e está por aí a dormir!" Quando foquei bem o olhar é que vi que o Pedro não tinha sido nada modesto e tinha feito um arranjo com flores e com uma folha de bananeira de alguns 2 metros! A todos os outros que me tentaram ligar, apanhar no skype ou me mandaram mensagens, um beijo de obrigada!
07 março 2009
Obrigado, Vila Aurora
O tão esperado dinheiro lá chegou e, com ele, a possibilidade de levantar o carro. E assim deixámos a Vila Aurora, com muita saudade. Não sei onde teríamos encontrado melhor apoio num início tão corrido (mas animado!) como foi o desta semana! Vamos sentir falta dos fins de tarde e dos serões lá na área, a jogar conversa fora e a molhar a palavra com uma Skol...
Obrigados, Seu Carlos, Leo, Mauricio, Carlinhos e Lena. Esta viagem não teria o mesmo sabor se não tivesse comecado convosco...
As filas de 180 km (!) em São Paulo, a que se juntou a chuvinha miudinha, numa sexta-feira ao fim da tarde, não nos impediram de atravessar a cidade e de seguir viagem para a zona Sul, onde o Beto, a Sandra e o Lucas nos esperavam para passarmos o fim-de-semana.
Obrigados, Seu Carlos, Leo, Mauricio, Carlinhos e Lena. Esta viagem não teria o mesmo sabor se não tivesse comecado convosco...
As filas de 180 km (!) em São Paulo, a que se juntou a chuvinha miudinha, numa sexta-feira ao fim da tarde, não nos impediram de atravessar a cidade e de seguir viagem para a zona Sul, onde o Beto, a Sandra e o Lucas nos esperavam para passarmos o fim-de-semana.
02 março 2009
Família Koeche
28 fevereiro 2009
Querosene
Depois de um voo comprido, em que aproveitei para ver 3 filmes (mais ou menos o correspondente ao último ano e meio de televisão e cinema...), chegámos a São Paulo. Pode parecer ridículo, e vocês dirão que sou um caso perdido, mas vinha no voo a lembrar as saudades que tinha do cheiro a querosene quando se sai do avião, misturado com o calor húmido da noite. Há coisas que o nosso cérebro não nos explica.
À nossa espera, o Sanhaço e a Lena, que nos receberam como família. Sem paragens no trânsito e vindo pelas "quebradas de polícia", foi quase uma hora até casa. O Pedro, que se está a estrear em São Paulo, vinha impressionado. O Henrique, esse, aproveitou para dormitar encostado a mim... Em casa, esperáva-nos um lanchinho e muitas cervejinhas frescas, para compensar o martírio de tantas horas sentados.
À nossa espera, o Sanhaço e a Lena, que nos receberam como família. Sem paragens no trânsito e vindo pelas "quebradas de polícia", foi quase uma hora até casa. O Pedro, que se está a estrear em São Paulo, vinha impressionado. O Henrique, esse, aproveitou para dormitar encostado a mim... Em casa, esperáva-nos um lanchinho e muitas cervejinhas frescas, para compensar o martírio de tantas horas sentados.
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